Museu Histórico

O Museu Histórico de Pinhalzinho foi criado em 3 de setembro de 1988, com o objetivo de guardar e fazer conhecer a memória da comunidade local, representada em fotos, objetos, documentos, audiovisuais e depoimentos orais.

Reabertura do Museu Histórico de Pinhalzinho

 O Museu Histórico de Pinhalzinho foi reinaugurado no dia 17 de maio de 2010 com cerimonial de abertura e lançamento da exposição “Guardar, guardar, guardar: os colecionadores de Pinhalzinho”. No dia 18 de maio, o workshop “Noções Básicas de Implantação e Gestão de Museus” foi ministrado pela coordenadora do Museu, Fernanda Ben. Estes dois eventos, mais as oficinas de educação patrimonial da exposição fizeram parte da programação da 8ª Semana Nacional de Museus, com o tema “Museus para a harmonia social”.

Os eventos serviram para envolver a comunidade local e regional, e demonstrar que o museu pode ser um articulador do processo de harmonização social.

O atendimento ao público acontece das 8h às 11h30, e das 13h30 às 17h30 de terça a sexta-feira. À noite (mediante agendamento) – o atendimento é das 19h ás 22h.

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Exposição Guardar, guardar, guardar: os colecionadores de Pinhalzinho

 Quando alguém vai a uma exposição de moedas, em um determinado espaço apropriado para tal, não está propriamente interessada – na sua grande maioria – no valor financeiro que essa exposição pode representar; mas sim, o porquê de trazer á tona determinados objetos que durante muito tempo sofreram – e ainda sofrem – mudanças não só no seu valor econômico, mas também nas suas simbologias.

Desta forma, o Museu Histórico de Pinhalzinho apresentou à comunidade local e regional, a exposição “Guardar, Guardar, Guardar… Os Colecionadores de Pinhalzinho”.

Do latim Collectione, o ato de colecionar pode significar – entre outras definições – a forma mais apropriada de não deixar cair no esquecimento momentos significativos na vida de uma determinada pessoa ou grupo. Momentos esses representados em formas de cores, sons e cheiros, proporcionando uma revitalização das memórias individuais e coletivas.

No entanto, para termos minimamente a noção – e os possíveis sentimentos dessa ação, a qual está associada à permanência dos museus – de que o ato de colecionar pode nos trazer, devemos nos reportar ao início da Idade Moderna (século XV). Período representado por inúmeros acontecimentos significativos para a humanidade – fragmentação das doutrinas católicas, surgimento da imprensa pelo holandês Gutemberg, início das grandes navegações ultramarinas etc. – o início do período moderno sacramentou, quase que em definitivo, as coleções mundo afora.

O homem, nutrido de uma visão mais aperfeiçoada e recheada de elementos científicos e humanistas, fruto do movimento renascentista europeu, apresenta para o mundo – através das coleções principescas – qual o verdadeiro significado dos objetos (novos ou não) para a época: a possibilidade de demonstrar seus inúmeros sentimentos através das mais variadas formas, representadas por produções artísticas como quadros e estatuetas, bem como por curiosidades exóticas oriundas do novo mundo, Ásia e América. Devemos notar, porém, que a possibilidade de colecionar – para tal período – associado com a possibilidade de representar os sentimentos pelos objetos colecionados, passava apenas pelas mãos de uma pequena parcela da sociedade: reis, rainhas, príncipes, princesas, lordes, condes etc.; ou seja, a chamada sociedade nobre.

Felizmente e, ainda no mesmo período (séculos XVII e XVIII), as coleções deixaram de ser meramente formas sentimentais e elitistas. A partir desse momento as inúmeras coleções passaram trazer em suas formas, todo um aparato que atribuíam desde a natureza dos objetos que a compunham, até as concepções cientificas para justificar sua existência e, por que não dizer, a sua permanência nos acervos.

Para representar esse momento, mais precisamente em 1753, surge o Museu Nacional de Londres, o primeiro aberto ao público e em 1793 o Museu de Louvre na França, aberto a todos os cidadãos daquele país, fruto da Revolução Francesa.

Já no século XIX, os museus passam a conter características que representam os diferentes nacionalismos, com ações de reunir e preservar os inúmeros objetos artísticos nacionais como, por exemplo, a Estatuonamia: palavra designada às coleções de estátuas.

Passando para o século XX, as coleções tornam-se palco para o surgimento de inúmeros museus mundo afora. Assim o ano de 1945 – final da Segunda Guerra Mundial – apresenta o surgimento do ICOM (Conselho Internacional de Museus), com o objetivo de regulamentar os museus como espaços sem fins lucrativos abertos ao público. Tal órgão determina que tais espaços devam estar caracterizados como campo de pesquisas sobre as diferentes evidências materiais do homem e do meio ambiente em que esse vive. Por fim, devem proporcionar aos seus frequentadores meios de conservar, comunicar e investigar os inúmeros objetos existentes. Em outras palavras, educação e fruição através de atividades lúdicas.

No Brasil os museus estão caracterizados como espaços de educação patrimonial e são datados no início do século XIX com iniciativas culturais por D. João VI em 1818, como na criação do Museu Real, atualmente Museu Nacional.

Após essa iniciativa inúmeros museus de renome internacional foram surgindo no país: Museu do Exército, em 1824; da Marinha, em 1868; o do Estado do Paraná (Paranaense), em 1876; o Instituto Histórico e Geográfico da Bahia, em 1894; e o Museu do Ipiranga, em 1894; proporcionando de forma direta – ou indireta – a permanência dos inúmeros espaços de educação patrimonial no Brasil.

 Palavra de origem grega “Museion” (mais ou menos no século IX A.C.) significa os templos das Musas, os quais são – em outras palavras – lugares ligados a diferentes formas científicas com características de contemplação. Estava ligado também, nesse primeiro momento (e pelo ponto de vista da Mitologia Grega), a Mnemonise – a Deusa da memória.

Por isso, desde a sua fundação, o Museu de Pinhalzinho adota uma postura de comunicar e dinamizar os diferentes processos históricos que nossa sociedade apresenta, dignos de estudos que possam proporcionar para o público em geral melhor compreensão do mundo que nos rodeia.

Assim, a exposição “Guardar, Guardar, Guardar… Os Colecionadores de Pinhalzinho” mostrou ao seu público – alunos das redes escolares públicas e privadas, além da população geral – qual a importância das coleções para a formação dos espaços de educação patrimonial no município.

A exposição aconteceu entre os dias 17 de maio a 30 de agosto de 2010, e recebeu aproximadamente mil e quatrocentos visitantes, conforme consta no Livro de Registros do Museu Histórico de Pinhalzinho, sendo cidadãos da comunidade local e alunos da rede de ensino municipal e estadual.

 Objetivos alcançados: 

  • Proporcionar ao público o entendimento e as diferentes formas de elaborar uma coleção;
  • Continuar a promover a associação entre as escolas do município e o Museu;
  • Elaborar uma compreensão histórica do município a partir de coleções oriundas dos moradores do município;
  • Dinamizar e motivar os alunos perante a história local;

Atividades Desenvolvidas e Metodologia:

Um dos elementos mais importantes de memorização, as atividades constituem um dos principais meios de fixação das informações expostas nos diferentes processos de ensino e de aprendizagem, tanto para os assuntos relacionados nas áreas exatas, quanto para os assuntos das áreas humanas.

Desta forma, as atividades elaboradas para essa exposição, foram configuradas no tripé Visualização/ Materialização/ Memorização. Em um primeiro momento, os alunos visualizam as informações contidas na exposição; por segundo, eles materializam os conteúdos executando as atividades; e o terceiro momento é caracterizado pela memorização das informações. Ou seja, a aplicação de atividades nesse momento, não teve caráter de punição aos alunos, mas serviu para a concretização do processo de ensino e aprendizagem na exposição.

Sendo assim, o projeto “Guardar, Guardar, Guardar… Os Colecionadores de Pinhalzinho” adotou uma metodologia que associou, ao mesmo tempo, premissas que compunham uma disciplina – a História, teórica e metodologicamente – e meios de conter as inúmeras visões reducionistas perante a disciplina.  Dessa forma, aulas expositivas e explicativas foram utilizadas, tendo como suporte banners, material audiovisual e slides com imagens e definições dos principais conceitos que foram trabalhados durante a exposição.

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Exposição Tchê: cultura e tradições gaúchas no Oeste de Santa Catarina

Ao falarmos sobre as tradições gaúchas na região Oeste de Santa Catarina, temos que embarcar em uma viagem que vai muito além das disposições político/geográfico que cada Estado apresenta nos dias atuais. Para compreendermos a contribuição cultural sulina na região Oeste catarinense, precisamos nos remeter ao processo de formação histórico/cultural daquele estado, o Rio Grande do Sul, o qual apresenta para nós tradições que amplamente transpassam as mesmas fronteiras político/geográficas entre ele e Santa Catarina.

Olhar o estado sulino no ponto de vista cultural como simplesmente um estado que compõe a República Federativa do Brasil, é quase que uma força de expressão. Isso porque existiram (e ainda existem ali) – região sudoeste da América do Sul – muitos “Rio Grandes diferentes”, cada qual com suas particularidades culturais, que perpassam desde a chegada dos primeiros habitantes pré-históricos, até o contemporâneo Rio Grande do Sul das exclamações “Tchê!”.

Por isso, quando falarmos sobre a formação histórico/cultural do Rio Grande do Sul, temos que ter a clareza que isso é o resultado de uma miscigenação cultural ao longo dos tempos, que culminou numa identidade de caráter forte, enraizada, expressiva e expansiva, a ponto de propagar para outras regiões do país.

Por conta disto, a exposição propôs demonstrar os traços e características da cultura gaúcha socializados nas tradições, danças, costumes e no modo de vida das pessoas que vivem no Oeste de Santa Catarina.

 Objetivos alcançados:

  • Demonstrar os traços e características da cultura e das tradições gaúchas;
  • Promover a associação entre as escolas do município e o Museu;
  • Desenvolver a exposição em parceria com o CTG – Porteira do Pinhal;
  • Evidenciar aspectos da história regional e da Revolução Farroupilha;
  • Dinamizar e motivar os alunos perante a importância da história local.

 A exposição ocorreu entre os dias 18 de setembro a 16 de novembro de 2010, e recebeu aproximadamente mil visitantes, conforme consta no Livro de Registros do Museu Histórico de Pinhalzinho, sendo cidadãos da comunidade local e alunos da rede de ensino municipal e estadual.

 Atividades Desenvolvidas e Metodologia

Um dos elementos mais importantes de memorização, as atividades constituem um dos principais meios de fixação das informações expostas nos diferentes processos de ensino e de aprendizagem, tanto para os assuntos relacionados nas áreas exatas, quanto para os assuntos das áreas humanas.

Desta forma, o projeto “Tchê: cultura e tradições gaúchas no Oeste de Santa Catarina” adotou uma metodologia que associou, ao mesmo tempo, premissas que compunham uma disciplina – a História, teórica e metodologicamente – e meios de conter as inúmeras visões reducionistas perante essa disciplina.  Foram utilizadas aulas expositivas e explicativas, tendo como suporte banners, material audiovisual e slides com imagens e definições dos principais conceitos que foram trabalhados na exposição, entre os quais se destacam: Semana Farroupilha, Revolução Farroupilha, História do CTG-Porteira do Pinhal e os símbolos da cultura gaúcha praticados na região.

Além disso, foram utilizados maquetes e desenhos confeccionados pelos alunos da E.E.B Vendelino Junges, instituição parceira do projeto que foi coordenado pelo Museu Histórico de Pinhalzinho.

A exposição teve inicio no dia 18 de setembro durante a programação de abertura da Semana Farroupilha promovida pelo CTG – Porteira do Pinhal. No CTG foram expostos banners e painéis com desenhos representando os traços da cultura gaúcha que são parte da cultura regional.

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Referências Bibliográficas:

AURAS, M. Guerra do Contestado – a organização da irmandade cabocla. 3a.. ed. Florianópolis: Editora da UFSC, 2001.

BELLANI, E. M. Madeira, Balsas e Balseiros no Rio Uruguai: o processo de colonização do Velho Município de Chapecó – 1917/1950. Chapecó – SC: Editora Grifos/UNOESC, 1996.

CADERNO da Oficina: Arqueologia do Oeste de Santa Catarina. Concórdia/SC: XXII NEMU, jul. 2004.

CUSTÓDIO, Luiz Antônio B. (Org.) Os primeiros habitantes do Rio Grande do Sul. Santa Cruz do Sul/RS: Edunisc/Iphan, 2004.

ECKERT, Ivo. Bonito Pinhal. Pinhalzinho. Florianópolis: Ed. Do Autor, 2002.

LEMOS, Clademir; KAISER, Valdir. Coluna: Nossa Terra, Nossa Gente. Jornal Voz Regional, Pinhalzinho, 2006.

MACHADO, Paulo P. Lideranças do Contestado: Campinas: Unicamp, 2004.

MINISTÉRIO da Cultura. Política Nacional de Museus. Brasília: MINC/IPHAN/Demu, 2005.

 

Caderno de Diretrizes Museológicas. Belo Horizonte: MINC/IPHAN/Demu, 2006.

Política nacional de Museus: relatório de gestão 2003/2006. Brasília: MINC/IPHAN/Demu, 2006.

RAMOS, Francisco Régis L. A danação do Objeto. O museu no Ensino de História. Chapecó: Argos, 2004.

RENK, Arlene: A Luta pela erva. Chapecó: Argos.

REVISTA BRASILEIRA DE MUSEUS E MUSEOLOGIA. Brasília: IPHAN, n. 3, 2006.

REVISTA BRASILEIRA DE MUSEUS E MUSEOLOGIA. Brasília: IPHAN, n. 3, 2007.

ROHR, João Alfredo. Os sítios arqueológicos do planalto Catarinense, Brasil. Pesquisas em Antropologia, n. 24, p.1-56, 1971.

Sítios desprotegidos significam história ameaçada. Revista Ciência Hoje. Disponível em: http://www.comciencia.br/reportagens/arqueologia/arq03.shtml. Acesso em: 10/03/2008.

SUZIN, Dirceu. O início do Futebol em Pinhalzinho. Jornal Gazeta do Oeste Especial, 31 de dez. 1987.

Outras Fontes Consultadas:

Pesquisa no CEOM – Centro de Memória do Oeste.

CEOM. Inventário das coleções arqueológicas da região Oeste de SC; Chapecó: 2007.

            Apostilas dos Cursos do Núcleo de Estudos Museológicos – NEMU.

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